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Inter de Lages

Patrick Cruz

O Inter é nosso pau-brasil

O pau-brasil deu nome ao lugar onde nascemos, foi o primeiro item de exportação dessa terra quando ela sequer país era, mas, ainda assim, nós temos praticamente ignorado sua existência. O desconhecimento é tamanho que grande parte dos brasileiros acredita que a espécie já não existe mais em florestas nativas.

Pois bem, a árvore está, sim, ameaçada de extinção, mas há dezenas de conjuntos de ocorrências de pau-brasil em matas que vão do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. Celebremos: um símbolo de identidade nacional, sem o qual talvez hoje corrêssemos o risco de, sem nome, sermos enterrados como indigentes no dia em que encontrarmos a inescapável, está vivo. Lutemos por ele para que ele volte a crescer e se multiplicar.

Infelizmente, não é o que temos feito. Com exceção de alguns grupos de pesquisadores, empresários, produtores rurais e diletantes anônimos, que se dedicam a conhecer mais sobre a espécie para dar a ela uma possibilidade de futuro, só o que o pau-brasil desperta nos brasileiros é uma retumbante indiferença.

Estamos ocupados demais com nossos compromissos profissionais, jantares e boletos, com nossas selfies, nossa autocongratulação nas redes sociais, nosso cotidiano aborrecido. Pau-brasil? Isso é assunto pra ambientalista.

Aliás, o país viveu nas últimas décadas crente de que o pau-brasil havia desaparecido para todo o sempre. Se o julgávamos extinto e não morremos por causa disso, que diferença faz se ele existir ou não? Se deixar de existir, sabemos que continuaremos respirando.

Esse deve ser, imagino, o pensamento coletivo dos brasileiros sobre esse assunto e qualquer outro que nos diga respeito como nação. Não movemos uma palha por algo que não seja estritamente de nosso círculo íntimo de interesses, muito menos para fazer algo para defender algo que achávamos que sequer existia mais.

Em Lages, temos uma expressão para isso: “Ah, mas eu não vou me incomodar!” Em nossa cidade, essa costuma ser a postura quando se fala de trabalho em conjunto para melhorar, defender ou assegurar que o ar continue a entrar nos pulmões de um patrimônio coletivo.

Sem uma árvore, nosso país não teria um nome. Há outras árvores por aí, talvez pensemos.

O Inter de Lages não é uma espécie botânica, mas não há outra obra que tenhamos construído juntos que, até hoje, tenha sido um símbolo coletivo de nosso lugar no mundo.

Sem o pau-brasil, o país continuará a existir, é verdade. Mas que derrota terá sido se o deixarmos partir porque temos preguiça ou estamos apenas absortos em nossas próprios interesses desimportantes.

O Inter é a luta que vale a pena. Lages pode viver sem ele, sim, mas seria um pouco menos Lages se isso viesse a acontecer. Que derrota, que derrota.

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