A construção do primeiro protótipo de casa subterrânea em São José do Cerrito deve marcar uma nova fase no desenvolvimento turístico do município. A proposta da administração municipal é transformar o modelo habitacional ancestral em um dos principais atrativos da cidade, estimulando também investimentos da iniciativa privada.
“Enquanto gestão municipal, precisamos olhar para as casas subterrâneas como um potencial turístico e despertar o interesse da iniciativa privada, integrando esse conceito a setores como hotelaria, pousadas, artesanato e gastronomia, já previstos no Plano Turístico do município”, destaca a prefeita Tainara Raitz.
A prefeita acompanha de perto a construção da estrutura, inspirada nas habitações utilizadas há cerca de 1.100 anos pelos povos indígenas Jê Meridionais, como os Kaingang e Xokleng.
A obra, que estava prevista para ser concluída nesta semana, ainda depende da finalização da cobertura e do retorno ao município de integrantes da Aldeia Bugio, da comunidade Laklãnõ Xokleng, de José Boiteux, responsáveis pela execução.
Reconhecido como “Capital Nacional das Casas Subterrâneas”, São José do Cerrito será o primeiro município de Santa Catarina a contar com uma réplica desse tipo fora de uma aldeia indígena.
Para o indígena Geramiel Ndjuplo de Almeida, responsável pela construção, o projeto vai além da técnica. “Não se trata apenas de escavar um espaço, mas de uma prática que envolve espiritualidade e respeito à vida de todos que passarão por aqui”, afirma.
Com características únicas na região, as casas subterrâneas devem consolidar um nicho turístico próprio, voltado à experiência, à imersão cultural e ao contato com a natureza. Diferente do turismo de massa, a proposta é oferecer vivências autênticas, integradas à gastronomia, à cultura e à espiritualidade.
Características da construção
O protótipo, em fase final de construção, terá 36 metros quadrados, formato circular e ficará parcialmente subterrâneo, com base escavada a cerca de 1,70 metro de profundidade.
A estrutura está sendo implantada em meio a um capão de mata com araucárias, próximo à Secretaria de Turismo e às margens de um córrego, dentro do complexo turístico Centro Integrado de Cultura.
A escolha do local ocorreu após a realização de um ritual indígena conduzido pela família da Aldeia Bugio. A expectativa é que o modelo sirva de referência para novos empreendimentos turísticos em propriedades rurais da região.
De acordo com a secretária municipal de Turismo, Lola Maringoni Guimarães, o projeto do complexo envolve a parceria entre a Amures, o Sebrae, a Adrel e o Sicoob Credicarú, responsável pelo financiamento da mão de obra das escavações.
Fotos: Onéris Lopes


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