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A revoada dos papagaios-charão rumo à Serra Catarinense é um dos fenômenos naturais mais impressionantes do Sul do Brasil. Com cenas espetaculares de migração, o movimento ocorre anualmente entre os meses de março e agosto.
Um dos principais destinos dessas aves é o município de Urupema, onde milhares de indivíduos se concentram em busca de pinhão e abrigo, protagonizando um verdadeiro balé nos céus.
Considerado o maior atrativo de turismo ecológico do sul do país, o espetáculo transforma o entardecer com bandos que podem chegar a até 20 mil aves. Foi justamente esse fenômeno que marcou, nesta sexta-feira (24), a abertura oficial do 13º Festival dos Papagaios, em 2026.
A solenidade ocorreu no salão de festas da igreja matriz, na Praça Central da cidade e reuniu ao menos duas centenas de pessoas, entre observadores, estudantes, pesquisadores e admiradores da natureza.
Durante o festival, a cidade oferece uma programação cultural e ecológica diversificada, com oficinas fotográficas, saídas de campo, palestras e exposições, atraindo visitantes de diferentes regiões do Brasil e também do exterior.
Na abertura da temporada, a prefeita de Urupema, Cristiane Muniz Pagani, destacou a relação entre as aves e o turismo local. “Os papagaios são atraídos pelo pinhão, e o público, pelos papagaios. Essa relação harmoniosa, baseada no respeito, na sustentabilidade e no equilíbrio, tem projetado o município internacionalmente. Somos gratos a essas pequenas aves, que anunciam fartura nas matas de araucárias e encantam com suas revoadas acrobáticas. Elas fazem parte da nossa identidade”, afirmou.
O evento foi prestigiado, também, pelo presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Júlio Garcia, o prefeito de Urubici e vice-presidente da Amures, Leandro Corrêa e dentre outras autoridades, a prefeita de Lages, Carmen Zanotto.
Em sua fala, Júlio Garcia lembrou que, “antigamente haviam pessoas que miravam os papagaios com espingardas e hoje, vemos câmeras fotográficas potentes, que revelam toda beleza e harmonia de uma espécie que merece ser admirada e é nossa obrigação preservar para as gerações futuras”.
Características da espécie
O papagaio-charão é o menor papagaio do Brasil e está ameaçado de extinção. Ao se alimentarem, essas aves desempenham papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração natural da floresta de araucárias.
A espécie é uma das poucas do gênero Amazona que apresenta dimorfismo sexual. Machos e fêmeas possuem coloração predominantemente verde, mas se diferenciam pela presença mais intensa de vermelho na máscara facial e nas asas dos machos. Já os indivíduos jovens apresentam menor quantidade dessa coloração.
O charão é também a única espécie de papagaio migratória do Brasil, com ampla ocorrência no Rio Grande do Sul. Todos os anos, a partir de abril, inicia a migração para a Serra Catarinense — especialmente para municípios como Painel e Urupema — em busca da maturação das sementes do pinheiro-brasileiro.
Nos demais meses do ano, a espécie entra em período reprodutivo. Além do pinhão, sua alimentação inclui frutos como pinho-bravo, guabiroba, guabiju, camboatá, murta, jabuticaba e gemas florais de ipê-amarelo. Também pode consumir espécies exóticas, como cinamomo, nêspera, pera e eucalipto.
IFSC promove oficinas durante o festival
Estudantes do curso superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia do Câmpus Urupema do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) irão ministrar oficinas gratuitas durante o 13º Festival dos Papagaios, que segue até domingo (26).
As atividades terão duração aproximada de 30 minutos e abordarão o tema “Vitivinicultura e Festival do papagaio-charão: integrando o turismo na região serrana”. Estão previstos três horários: na sexta-feira (24), das 14h30 às 15h; e no sábado (25), das 10h às 10h30 e das 14h30 às 15h.
Entre os conteúdos apresentados estão a vitivinicultura na Serra Catarinense, análise sensorial dos aromas dos vinhos da região, além de harmonização e degustação. As oficinas serão realizadas na Casa da Cultura de Urupema, próxima ao local principal do festival.
Fotos: Onéris Lopes/Amures
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