Judiciário integra ações de fortalecimento do Serviço Família Acolhedora |
Equipe da Vara da Infância e Juventude participa da capacitação da rede de proteção no município
O Judiciário catarinense esteve presente no encontro que reuniu a rede de proteção à infância e à adolescência de Lages e a comunidade para apresentar, discutir e fortalecer o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora.
Integrantes da equipe da Vara da Infância e Juventude acompanharam a palestra “Cuidar em Rede” e participam de ações de capacitação dos técnicos que ocorrem até esta sexta-feira, promovidas pela prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social.
Assistente social, graduada em direito, com experiência de mais de duas décadas no trabalho com crianças e adolescentes vítimas de violações de direitos, Neusa Eli Figueiredo Cerutti, do Instituto Acolher, compartilhou conhecimentos e provocou reflexões acerca da importância do afeto no desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Ao falar sobre os desafios do sistema de proteção à infância, destacou que apenas 7% das crianças e adolescentes afastados do convívio familiar vivem com famílias acolhedoras.
Os outros 93% estão em abrigos institucionais. “Crianças em acolhimento disputam por afeto”, frisou. “O ser humano depende de cuidado, atenção e segurança para se desenvolver de forma adequada. É num ambiente familiar que eles criam vínculos importantes nessa fase”, completou a palestrante.
Sensibilizar a comunidade sobre a compreensão do que é ser família acolhedora é um dos pontos fundamentais desse processo. “Nós precisamos quebrar paradigmas para fazer com que esse tipo de acolhimento se torne realidade em Lages”, destacou.
A oficiala da Infância Ana Emília Melchiors representou o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ricardo Fiúza, na abertura do evento. Ela destacou a atuação integrada entre os órgãos.
“A Justiça caminha junto com a rede de proteção para assegurar que o acolhimento familiar seja feito com responsabilidade, cuidado e respeito aos direitos das crianças”, afirmou. A assistente social forense Sumaya Dabbous também participou do encontro.
Durante as capacitações, o magistrado teve a oportunidade de falar com os técnicos. Ele reforçou o quanto é essencial o trabalho da rede para a efetivação do serviço de acolhimento em famílias em Lages.
“Temos uma lei que nos dá mais segurança e transformou o projeto em um serviço. Nosso desafio agora é encontrar famílias com vocação para acolher as crianças e, especialmente, os adolescentes, que têm poucas possibilidades de adoção e precisam desse vínculo com a sociedade”, destacou o magistrado.
Sobre o acolhimento familiar
O acolhimento familiar é uma medida protetiva prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e aplicada por decisão judicial nos casos em que há necessidade de afastamento temporário da criança ou do adolescente do convívio com a família de origem.
A guarda provisória é concedida pelo Judiciário à família acolhedora, que assume os cuidados diários até que seja possível o retorno ao núcleo familiar ou, quando não houver essa possibilidade, o encaminhamento para adoção.
Como participar
O município de Lages busca criar uma lista de famílias acolhedoras cadastradas. Podem se inscrever famílias residentes no município, com mais de 21 anos, que tenham disponibilidade de tempo e não possuam intenção de adoção. As inscrições seguem abertas até 31 de dezembro de 2026.
Mais informações sobre o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora e sobre o processo de inscrição podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Assistência Social de Lages, pelos telefones (49) 3019-7460 e (49) 99836-1476 ou pelo e-mail familiaacolhedora@lages.sc.gov.br.


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