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São Joaquim

Segunda geada seguida é registrada e chama a atenção de especialistas

São Joaquim voltou a amanhecer coberta por gelo nesta semana, com o registro da segunda geada consecutiva em pleno mês de janeiro, um fenômeno considerado raro pela climatologia da Serra Catarinense.

A temperatura mínima chegou a 0,9°C, conforme dados da estação PMSJ/INMET, colocando o município entre os mais frios do estado e marcando uma das menores temperaturas já registradas em janeiro na região.

De acordo com o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, da Climaterra, o frio intenso é consequência direta da atuação de uma massa de ar frio e seco, considerada forte para esta época do ano.

“Nós estamos sob o domínio de uma massa de ar frio e seca. Ela é forte para a época do ano. Como as noites foram bem limpas, com pouco vento e ar frio, ocorre o resfriamento acentuado, que acaba se manifestando na forma de geada”, explica Coutinho.

Embora a ocorrência de geada em janeiro não seja inédita, o especialista destaca que a intensidade e a repetição do fenômeno são incomuns.

“Não é raro ter geada em janeiro, mas não é comum geada com essa intensidade. Aqui na Climaterra, desde 2005 eu não tinha duas geadas seguidas em janeiro. E, na nossa região como um todo, desde 2009 não havia registro de duas madrugadas tão frias consecutivas neste mês”, ressalta.

Em grande parte de Santa Catarina, muitas estações meteorológicas registraram mínimas entre 5°C e 10°C, valores considerados muito baixos para o verão.

Segundo Coutinho, em algumas localidades, não havia registros de amanhecer tão frio em janeiro desde 2005, e em certos casos, desde a década de 1980.

O frio não ficou restrito à serra. No litoral catarinense, houve registros entre 10°C e 13°C, enquanto a Grande Florianópolis teve mínimas entre 12°C e 15°C. Na capital, os termômetros marcaram entre 16°C e 18°C, temperaturas também consideradas baixas para o período.

Coutinho explica ainda que o fenômeno está associado à La Niña, que favorece a entrada de massas de ar frio pelo sul do Brasil, mesmo durante o verão.

“É uma massa de ar frio forte que eventualmente atinge a região nos meses de verão, e a La Niña contribui para esse tipo de cenário”, afirma.

A previsão indica que a próxima madrugada ainda pode ter geada, porém de forma mais fraca e isolada. Caso se confirme, será um fato ainda mais raro.

“Se houver geada novamente, será a primeira vez com registro de três geadas seguidas em janeiro, o que é realmente excepcional”, conclui o meteorologista.

O episódio reforça o caráter singular do clima da Serra Catarinense, conhecida nacionalmente por seus extremos térmicos, mesmo fora do inverno.

Foto: Wagner Urbano/Notiserra

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