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Cineclube

CineCapela encerra sua primeira temporada, em Lages, neste sábado

Projeto contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema realizou 11 sessões focadas no cinema catarinense ao longo de 2025

O CineCapela, cineclube realizado no antigo Seminário Diocesano de Lages, na Avenida Papa João XXIII, Bairro Petrópolis, encerra no próximo sábado, 21 de fevereiro, às 20h, a temporada de 2025 com a exibição do longa-metragem Fragmentos (2024), dirigido por Marcelo Filho.

O projeto foi contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema 2024, concedido pela Fundação Catarinense de Cultura e, ao longo de 11 sessões, apresentou um panorama da produção audiovisual catarinense, reunindo obras de diferentes épocas, gêneros e estilos.

Com curadoria de Rafael Schmitt, a programação buscou destacar tanto cineastas contemporâneos quanto realizadores históricos do estado que tiveram importância no cinema brasileiro. 

Entre eles, nomes como Rogério Sganzerla e Sylvio Back, exibidos em sessões que relacionaram o cinema catarinense a movimentos como o Cinema Novo e o Cinema Marginal. 

“O CineCapela correspondeu às expectativas ao demonstrar como o cinema produzido por realizadores catarinenses influenciou o cinema brasileiro e também foi influenciado por ele”, afirma Schmitt. 

Para o curador, a principal contribuição do projeto foi pedagógica: formar espectadores e ampliar o acesso a filmes que raramente chegam ao circuito comercial.

O cineclube também revelou a recepção do público local a essas produções. Segundo Schmitt, a ideia de que o público brasileiro não se interessa por cinema nacional não se confirmou. 

“Quando esses filmes são exibidos, as pessoas se interessam e querem saber mais”, diz. O contato coletivo com as obras, em sessões seguidas de debates, foi apontado pelo curador como um dos diferenciais do cineclube, reforçando a experiência compartilhada do cinema em contraste com o consumo individual.

“A vocação do cinema é a experiência coletiva de um filme projetado numa tela. O streaming, por outro lado, colocou em evidência uma vivência individual, muitas vezes fragmentada. O CineCapela e os cineclubes promovem a oportunidade de experienciar um filme por inteiro, com atenção total e imersão”, conclui.

Proponente do projeto, o produtor cultural e artista Lucas Speranza destaca que a principal expectativa era alcançar público e renovar a audiência a cada sessão. 

“A gente percebeu uma capilaridade grande. O público se renovou, e isso mostrou que havia interesse”, afirma. Ele também aponta a ocupação do espaço da antiga capela como elemento central do projeto. 

Para Speranza, a experiência demonstrou que espaços já existentes podem ser adaptados para atividades culturais, criando pertencimento e ampliando o acesso à cultura.

Para Speranza, o principal legado do CineCapela foi o debate qualificado após as sessões e a valorização do cinema catarinense como produção com alcance universal, capaz de dialogar com diferentes públicos e contextos. 

“Acho que a principal marca que o CineCapela deixa é o debate sério que acontece no final, sofisticado, e a reutilização de um espaço para virar um cineclube”, afirma. Segundo ele, as obras exibidas também demonstraram que a produção local “ressoa de forma global, vai além de uma coisa feita no quintal para aqueles do quintal”.

Ao longo das sessões, o cineclube exibiu curtas e longas-metragens de ficção, documentários e obras históricas, com foco em produções realizadas em Santa Catarina ou por cineastas catarinenses. A programação incluiu debates mediados após as sessões, discutindo aspectos técnicos, históricos e críticos das obras.

Para o público, a experiência foi marcada pelo contato com novos repertórios e pela dimensão coletiva das exibições. A estudante Emanuelle Rauen afirma que participar do CineCapela ampliou sua relação com o cinema brasileiro. “Ouvir outras perspectivas depois dos filmes e conhecer novos cineastas mudou a forma como assisto”, relata. 

Ela destaca ainda a singularidade de assistir aos filmes na antiga capela do seminário, um espaço com história própria que, segundo ela, acrescentou significado à experiência.

Já para João Victor de Nez, o CineCapela é uma forma de democratizar o acesso ao cinema produzido no Brasil e em Santa Catarina e de demonstrar o que a sétima arte pode vir  a ser para além de sua dimensão comercial. João também destacou a importância dos debates formativos que ocorreram após as sessões, e que segundo ele são uma forma de “conseguir discutir e trocar ideias acerca dos filmes e de seus significados, criando um ambiente muito rico para reflexões e diálogos”, conclui.

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