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Todo poder tem um verão (começo). Alguns têm primavera (meio). Poucos reconhecem o outono (fim). Será que o presidente está entrando nele?
A queda de popularidade do presidente se deve, em parte, a sua desconexão com a realidade socioeconômica brasileira. Ele não está mais sentindo o pulso da população.
No livro Outono do Patriarca, Gabriel Garcia Marques retrata um ditador que se mantém no poder por tanto tempo que perde o contato com a realidade, descobrindo tarde demais que seu domínio já havia se esvaziado por dentro. Vamos ver alguns sinais que indicam que o Patriarca de Garanhuns está no mesmo caminho.
-Hábito do Poder – Os quase onze anos na Presidência levaram a um poder quase absoluto. O que era meio (mandato para executar ações), passou a ser fim (Poder pelo Poder).
-Ilusão de Controle – Acreditar que um executivo possa controlar 37 ministros é delírio. Muito menos para alguém que não é necessariamente um workaholic. Ignorar a sensação de perda de poder de compra dos mais pobres é grave. A inflação está baixa, assim como o desemprego, mas esta narrativa não resolve o problema.
-Isolamento Progressivo – No primeiro mandato o Patriarca tinha alguns poucos interlocutores que podiam discordar. Agora está cercado de “yes men”, que se limitam a aplaudir e rir das cada vez mais bizarras declarações em discursos de improviso. “Traficante é vítima”, “Jovens não querem mais trabalhar”, “O Brasil tem fronteiras com todos os países da América do Sul”, são algumas das pérolas.
-Sinais Ignorados – O problema da narrativa falsa é quando o narrador acredita nela. A sensação de falta de perspectiva de melhoria de vida, os escândalos envolvendo amigos e filho, os exageros da primeira-dama, a fadiga do eleitor (ele de novo), ignorar a mentalidade dos empreendedores individuais (Uber, Motoboys), não derrubam isoladamente. Juntos é outra história.
-Sucessão inexistente – Os potenciais sucessores foram sendo descartados ao longo do tempo. A sucessão só acontecerá, de forma atabalhoada, quando a biologia seguir seu caminho.
-Novo Pai dos Pobres – O Patriarca é venerado pelos dependentes originais do Bolsa Voto (ops! Família). O problema é que muitos dos primeiros beneficiados já morreram, e os filhos de netos não têm a mesma dívida de gratidão.
Em O Outono do Patriarca, ele é cercado por bajuladores, isolado da sociedade e incapaz de reconhecer sua própria decadência, o Patriarca atravessa o tempo acumulando poder, solidão e delírio.
Com o tempo, seu domínio se esvazia por dentro, revelando que, no fim, o poder que parecia eterno era apenas uma construção frágil sustentada pelo medo e pela ilusão.
No final do livro o Patriarca morre sozinho, abandonado e praticamente esquecido, dentro do próprio palácio. Não houve uma queda dramática nem revolução, apenas o esvaziamento silencioso de alguém que confundiu permanência com controle.
O Patriarca de Garanhuns está no seu outono?


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