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Após mais de quatro anos, chegou ao fim na noite de sexta-feira, 27 de fevereiro, a intervenção no Hospital Santa Clara. O ato oficial foi realizado na prefeitura e marcou o repasse da gestão à diretoria da entidade, atualmente presidida pelo empresário Wando Ávila.
A cerimônia foi conduzida pelo prefeito Fabiano Baldessar de Souza e contou com a presença de secretários municipais, sócios e membros da diretoria eleita da Sociedade Beneficente Dom Daniel Hostin, responsável pela manutenção do hospital.
Foram mais de 50 meses de intervenção — quatro anos e nove meses — iniciados em 2021 por meio do Decreto nº 3033/21. Segundo o prefeito, a medida foi necessária para evitar o fechamento da unidade.
No início da intervenção, foi identificada uma dívida superior a R$6 milhões. Ao longo do período, mais de R$3 milhões em contas foram pagos e o passivo foi reduzido gradativamente, chegando a R$2,7 milhões em 2024.
Além do reequilíbrio financeiro, o hospital recebeu, aproximadamente, R$4 milhões em investimentos. Entre as principais melhorias estão a reativação das duas salas cirúrgicas, que permaneceram de 12 a 13 anos desativadas.
Atualmente, a unidade já realiza a média de 100 cirurgias por mês, com potencial para chegar a quase 300 procedimentos mensais. Durante os mais de 50 meses de intervenção, o hospital manteve uma média de aproximadamente 3 mil atendimentos de urgência e emergência por mês.
De acordo com o prefeito, caso a unidade tivesse fechado as portas, essa demanda precisaria ser absorvida por municípios vizinhos, especialmente Lages, gerando transtornos à população e sobrecarga ao sistema regional.
Em seu pronunciamento, Fabiano Baldessar destacou o sentimento de dever cumprido. “É um dia especial, um dia de agradecer a cada um que se dedicou durante a intervenção desde o primeiro momento. Foram muitas pessoas comprometidas nesse trabalho de salvar nosso hospital, de não deixar o hospital fechar as portas e, hoje chegar nesse resultado positivo, onde podemos devolver o hospital à Sociedade Beneficente Dom Daniel Hostin”.
O prefeito ressaltou que o período foi marcado por desafios, mas também por superação. "Só tivemos esse resultado porque houve comprometimento de toda a equipe, desde o auxiliar de serviços gerais, faxineiros, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e equipe administrativa. Cada colaborador teve papel fundamental”, declarou.
Ele também enfatizou que a condução técnica foi decisiva para o êxito da medida. “Nem eu, nem o vice-prefeito Leonir, nem os interventores deixamos que a política entrasse para dentro do hospital. Um dos motivos da intervenção foi justamente o fato de a unidade estar sendo utilizada como braço político. Tenho convicção de que esse resultado só foi possível porque o hospital é para tratar da saúde da população”.
A intervenção contou com dois interventores: Beatriz Mesquita, que iniciou o processo, e Célio Erthal, responsável pela etapa final da gestão interventora.
Hospital ainda enfrenta desafios
Mesmo com os avanços, o prefeito reconheceu que o hospital ainda enfrenta desafios, mas que vai agregar serviços, principalmente por meio das cirurgias, consultas e exames.
O prefeito Fabiano Baldessar anunciou que, nas próximas semanas, será realizada uma prestação de contas à comunidade sobre todo o período da intervenção.
Com o encerramento do decreto, todas as decisões administrativas passam a ser conduzidas pelos mais de 50 sócios da Sociedade Beneficente Dom Daniel Hostin.
Embora a intervenção tenha sido oficialmente encerrada, o prefeito reforçou que o compromisso com a saúde pública permanece. “Talvez, olhando de fora, o hospital não seja responsabilidade direta da Prefeitura. Mas cuidar da saúde da população é, sim, responsabilidade do município. E foi por isso que tomamos todas essas medidas para não deixar nosso hospital fechar as portas”.

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