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ARTIGO

A força que sempre esteve no campo

Quando a Organização das Nações Unidas decidiu declarar 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, muita gente viu a notícia como um reconhecimento histórico. Eu também vi. Mas, para quem nasceu e cresceu no interior, essa não é exatamente uma novidade. Nós já conhecemos essa força há muito tempo.

Ela está nas mulheres que acordam antes do amanhecer para cuidar dos animais, organizar a casa, preparar o café da manhã da família e seguir para a lavoura. Está nas agricultoras que ajudam a administrar propriedades, tomam decisões importantes sobre a produção e enfrentam as dificuldades do campo sem perder a coragem.

Eu cresci vendo isso de perto. Lá em casa, no interior de Palmeira, aprendi desde cedo que o trabalho no campo nunca foi feito apenas pelos homens. As mulheres sempre estiveram lá. Muitas vezes, trabalhando lado a lado. Em outras, assumindo responsabilidades ainda maiores para garantir o sustento da família e a continuidade da propriedade.

Era o caso da minha mãe. Como tantas outras mulheres do interior, ela enfrentou dificuldades, fez sacrifícios e nunca permitiu que os desafios fossem maiores do que os sonhos. Foi ela quem me ensinou o valor do trabalho, da honestidade e da perseverança. Foi ela quem me mostrou que, mesmo quando o caminho parece difícil, é preciso seguir em frente.

Me emociona e me orgulha lembrar dela embalando mel e própolis, preparando o queijo que eu levava pra vender na empresa, pra complementar a renda da nossa pequena propriedade. O sorriso no rosto, o beijo na minha testa e a frase que nunca esqueci: vai valer à pena.

É por isso eu tenho tanta convicção quando digo que a mulher agricultora merece mais do que reconhecimento simbólico. Ela merece oportunidades. Merece acesso à capacitação, ao crédito, à tecnologia e aos espaços de decisão. Ela merece ser vista não apenas como alguém que ajuda na produção, mas como protagonista de uma das principais atividades, que movimenta a economia e ajuda a alimentar milhões de pessoas.

Em Santa Catarina, especialmente na Serra Catarinense, existem milhares de histórias que comprovam isso. Mulheres que transformaram pequenas propriedades em empreendimentos familiares, que agregaram valor à produção, que inovaram, empreenderam e ajudaram a construir comunidades mais fortes.

Quando valorizamos essas mulheres, não estamos apenas fazendo justiça. Estamos fortalecendo o futuro do nosso campo.

A decisão da ONU foi importante porque chama a atenção do mundo para uma realidade que muitas vezes passa despercebida, e nos convida a fazer uma reflexão: o que estamos fazendo, na prática, para apoiar quem produz, empreende e sustenta tantas famílias no meio rural?

A resposta para essa pergunta não pode ficar apenas nos discursos. Ela precisa aparecer em políticas públicas, em oportunidades e no reconhecimento diário de quem ajuda a fazer de Santa Catarina uma referência na produção de alimentos.

A verdade é simples: muito antes de o mundo voltar os olhos para as mulheres agricultoras, elas já estavam construindo, com trabalho e coragem, o desenvolvimento das nossas comunidades, e continuarão sendo uma das maiores forças do campo catarinense e brasileiro.

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