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Morte de paciente

Família acusa hospital de negligência médica

Bruno Orso Rocha passou mal e foi levado à Emergência do Hospital Tereza Ramos, em Lages. Segundo a família, houve negligência por parte da equipe que o atendeu, o que culminou com sua morte.

O fato ocorreu no dia 8 deste mês e é relatado, em detalhes, a seguir por Natacha Nery Oliveira, esposa de Bruno. Em nota, o hospital afirma que “A direção do Hospital e Maternidade Tereza Ramos, esclarece que está apurando os fatos e tomando todas as medidas administrativas sobre o ocorrido.”

Em sua rede social, Natacha publicou que no dia 08 de março, por volta das 5h30, Bruno acordou com febre muito alta, confusão mental, dor de cabeça, surdez e dor no pescoço.

“Tudo muito súbito, imediatamente foi levado a emergência do referido hospital. Há 30 dias do ocorrido ele havia feito uma esplenectomia videolaparoscópica, ou seja, a retirada do baço. Estava se recuperando bem, mas neste dia, inesperadamente tudo mudou. Por volta das 6h chegamos a emergência, ele passou pela triagem já em cadeiras de rodas, pois se queixava de muita dor e foi direto para a sala laranja. Logo tiraram a roupa e colocaram diversas compressas de álcool por todo o corpo e medicação na veia para a febre ceder.”

Exames - “Eram 7h30 e ainda não tinha sido feita a coleta de exames. Solicitei novamente para eles e não tive retorno. Então entrei em contato com uma conhecida do laboratório para enviar alguém, pois ele não estava bem. Logo, coletaram os materiais e assim que ficou pronto os exames ela me avisou que estava no sistema e avisei ao enfermeiro. Ele me disse que ainda não estava no sistema. Então atravessei o hospital e busquei o resultado em mãos para o médico verificar o quanto antes o que poderia estar ocasionando todos estes sintomas."

"O médico verificou e me disse não ter alterações específicas e realmente não tinha. Eu, inquieta em ver que a febre não cedia e os sintomas se agravavam, busquei no Google e apareceu a meningite. Com isso suspeitei, já que o esplenectomizado fica mais suscetível a esse tipo de bactérias encapsuladas. Falei ao doutor, mas ele me disse não ter indicações para fazer o exame específico." 

Troca de plantão - Após isso, o plantão trocou e entrou outro médico para assumir o caso. Examinou o rapaz novamente e fez os testes dos sinais meníngeos, e como ele tinha a rigidez no pescoço, logo fez a punção para o exame liquor. Neste meio tempo, Bruno foi sentindo cada vez mais dores, e incômodos. Estavam medicado com remédios fortes para a febre e dores, porém não apresentava melhora. 

Assim que teve a suspeita de meningite, entrei em contato com um médico que já acompanhava o Bruno há mais tempo, explicando a situação e ele me indicou falar com o doutor que estava atendendo para levá-lo para a UTI, pois o quadro era grave. Ele já estava com lábios roxos, pele sem perfusão e nenhuma melhora nos outros sintomas. Passei ao doutor e implorei diversas vezes para assim fazer, já que nunca o tinha visto naquela situação. Já eram quase 10h da manhã e ele seguia na emergência, sem monitoramento e com outros pacientes sendo que o ideal para ele era um isolado como informei ainda na triagem. 

Situação crítica_ Eu saí para amamentar o nosso bebê, e quando retornei ele estava gritando ainda mais de dor e dizendo que estava se sentindo muito mal, e que estava difícil para respirar.. Nisso percebi que os roxos agora não eram somente os lábios, mas também as mãos, pés e orelhas. Questionei mais uma vez ao Dr, o que estava acontecendo e o que seria feito. Ele me disse que os roxos eram da febre alta que não tinha cedido até então. Porém, mais uma vez pedi a ele para reexaminar e ligar o monitoramento. 

Após eu implorar foi verificado os sinais, e infelizmente já era tarde demais. A saturação já tinha caído muito e segundo ele estava em choque séptico, disfunção pulmonar e dispneia. Em seguida liguei para minha sogra para entrar e ver ele. Ela novamente questionou o Dr. sobre o que estava acontecendo com ele e o que seria feito a respeito. Logo foi transferido da sala laranja para a sala vermelha e eu e a mãe dele assistindo todo o descaso. 

O doutor nos informou na porta que não poderíamos mais acompanhar e que tinha confirmado para Meningite Bacteriana e que só então naquela hora tinha solicitado um leito de UTI. 

Óbito_ Findou o plantão do doutor e o mesmo optou por não continuar com o caso, assim com ele quase desfalecido, transferiu às 14h para o doutor, dizendo ser um paciente estável assim como evoluiu no sistema desta forma, sendo que ele não esteve estável em NENHUM momento desde que chegou, gritando de dor e pedindo por ajuda, foi descrito como “agitado e ansioso” e quando o doutor recebeu o caso, a situação já estava muito crítica, sendo que tentou salvá-lo, mas foi impossível, a demora do atendimento, cada hora perdida foi crucial, não deu tempo de entubá-lo e nem levá-lo para a UTI. Faleceu às 15h15, ainda na emergência, gritando por dor e pedindo ajuda. Assim, uma mãe perdeu um filho, um filho perdeu o pai e eu perdi meu marido.


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