Detenta morre após atacar policial civil durante transferência na BR-116 |
A detenta estava sendo transferida da Central de Plantão Policial de Curitibanos, para Lages. O caso reacende debate sobre logística penitenciária na Serra
Uma tentativa de homicídio contra uma agente da Polícia Civil terminou com a morte de uma detenta, na noite de quarta-feira (21), na BR-116, em Correia Pinto.
O caso ocorreu durante o transporte de presos da Central de Plantão Policial (CPP) de Curitibanos, para unidades prisionais de Lages e trouxe à tona novamente as dificuldades logísticas enfrentadas pelas forças de segurança na região serrana.
A detenta, identificada como Daniela Gonçalves Carvalho, de 32 anos, havia sido presa horas antes em São Cristóvão do Sul. Inicialmente, ela se apresentou como testemunha de uma ocorrência de briga com golpe de facão no bairro Monte Alegre.
Durante a abordagem, os policiais constataram, após consulta ao Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP), a existência de um mandado de prisão ativo em seu nome pelo crime de roubo, com validade até o ano de 2035.
Ataque dentro da viatura
Durante o deslocamento para Lages, mesmo algemada, Daniela atacou a policial civil que conduzia a viatura, utilizando a corrente das algemas para tentar estrangulá-la.
Segundo o relatório da Polícia Civil, o agente que ocupava o banco do carona ordenou que a detenta cessasse a agressão. Diante da recusa e do risco iminente à vida da policial e dos demais ocupantes do veículo, o agente efetuou dois disparos de arma de fogo.
Após a ação, a equipe seguiu imediatamente para o hospital de Correia Pinto, onde foi constatada a morte da detenta. A policial atacada não sofreu ferimentos graves e passa bem graças à intervenção do colega.
Ainda durante a prisão, Daniela afirmou estar grávida, numa tentativa de evitar os procedimentos legais. Exames médicos realizados na mesma noite, no entanto, descartaram a gestação e confirmaram que ela possuía laqueadura.
Investigação e procedimentos
Equipes da Polícia Civil de Lages e Curitibanos, juntamente à Polícia Científica, foram acionadas para realizar a perícia e os procedimentos legais. A investigação irá apurar as circunstâncias da reação policial e avaliar os protocolos de segurança adotados durante o transporte de presos.
Logística penitenciária em debate
O episódio reacendeu o debate sobre a logística penitenciária na Serra Catarinense. Desde o final de 2024, uma mudança administrativa passou a determinar que presos de municípios como São Cristóvão do Sul, Santa Cecília, Timbó Grande e Ponte Alta do Norte sejam encaminhados obrigatoriamente para Lages.
Policiais civis e militares relatam que a nova dinâmica tem sido extenuante, com equipes realizando até três deslocamentos diários, muitos deles com duração superior a quatro horas. Além do desgaste físico e emocional dos servidores, os longos trajetos retiram viaturas e efetivo de cidades menores, que ficam temporariamente desguarnecidas.
Nota da Sejuri
Diante da repercussão do caso, a Secretaria de Justiça e Reintegração Social de Santa Catarina (Sejuri) divulgou nota oficial esclarecendo que o município de São Cristóvão do Sul não possui presídio, mas apenas duas penitenciárias e uma unidade de segurança máxima.
Com a criação das Varas Regionais de Garantias, o sistema passou a exigir que o custodiado seja apresentado em audiência de custódia no prazo legal de até 24 horas.
Como a Vara Regional de Garantias da região está sediada em Lages, o Presídio de Lages foi definido como a “porta de entrada” do sistema prisional, responsável pelo recebimento inicial das pessoas privadas de liberdade.
A Sejuri informou que a Polícia Penal de Santa Catarina está à disposição para receber custodiados diretamente na unidade de São Cristóvão do Sul, desde que as audiências de custódia sejam realizadas de forma virtual.
Segundo a Secretaria, a medida poderia reduzir deslocamentos, aumentar a segurança e garantir maior eficiência logística, sem prejuízo ao cumprimento da legislação.
O caso segue sob investigação e deve continuar alimentando discussões sobre segurança, protocolos de transporte e a estrutura do sistema prisional na região serrana de Santa Catarina.


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