<
Choque elétrico

Safra menor de pinhão acende alerta de acidentes na Serra

A tradição que sustenta a economia e a alma da Serra Catarinense exige um olhar mais atento do que o habitual. Com a abertura oficial da colheita do pinhão, a Celesc reforça um chamado à preservação da vida: o cuidado extremo no manejo das araucárias próximas à rede elétrica. 

O alerta ganha urgência diante do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que estima uma safra de 3,7 mil toneladas este ano, um recuo de 32% comparado ao ano anterior. Essa escassez pode levar o colhedor a arriscar-se em pinheiros de difícil acesso ou perigosamente perto da fiação.

“O risco não escolhe tensão. O perigo está tanto nos cabos que alimentam os transformadores, de média tensão, quanto nos que chegam às residências, de baixa tensão. Qualquer contato ou mesmo a proximidade pode ser fatal. Em solo úmido, condição comum nas manhãs da serra, o risco é ainda maior”, alerta Helton Julio Perraro, gerente de Segurança, Saúde e Bem-Estar da Celesc.

 

O que você precisa saber para se proteger

O Arco Elétrico: a simples aproximação da vara de colheita (cambo) aos condutores pode permitir que a energia elétrica vença o isolamento do ar e “salte” para o objeto, causando choque elétrico com risco de morte.

A armadilha da umidade: madeira e bambu, que muitos acreditam ser isolantes, tornam-se condutores potentes sob o orvalho ou a geada da Serra.

Baixa tensão, alto impacto: o choque elétrico, mesmo em baixa tensão, é suficiente para causar paradas cardiorrespiratórias ou quedas de grandes alturas, agravando as sequelas.

Rede de Apoio: nunca colha sozinho. Em caso de acidente, o acompanhante é o elo vital para o socorro, mas atenção: jamais toque na vítima se ela ainda estiver em contato com a fonte de energia.


Cultura e Emergência

O ciclo do pinhão, que culmina na 36ª Festa Nacional do Pinhão (29 de maio a 7 de junho), é um patrimônio catarinense que a Celesc quer ver celebrado com segurança. Em qualquer situação de risco, como fios caídos ou objetos na rede, o contato deve ser imediato via 0800 048 0196 ou pelo app da Celesc.

Fonte: Celesc


Na Capital Catarinense do Pinhão, cultura envolve a população

Por Pablo Gomes/Epagri

Em toda a região serrana, das 34 mil famílias rurais cadastradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 mil, ou 30% delas, têm o pinhão na composição de renda. E são estas pessoas que, pelas próximas semanas, dedicarão o tempo a subir nas araucárias para derrubar a famosa semente.

Historicamente, a pequena Painel, distante cerca de 25 quilômetros de Lages e com suas imensas florestas de araucária, é onde mais se produz pinhão em Santa Catarina. 

Para a safra que começou dia 1 de abril, a previsão é de que sejam colhidas cerca de 1,2 mil toneladas no município, praticamente um terço de toda a região.

Em Painel, o extrativismo do pinhão é tão importante, que cerca de 80% das famílias rurais integram de alguma forma a cadeia produtiva. Não por menos, o município é reconhecido como a Capital Catarinense do Pinhão, conforme a lei estadual 18.638, de 8 de fevereiro de 2023, e pleiteia agora o título de Capital Nacional do Pinhão.

É o caso de João Odilar de Oliveira, que desde criança sobe até o topo de enormes araucárias para derrubar as pinhas e, assim, garantir renda para os próximos meses.

“O pinhão me possibilita uma renda para o ano inteiro. Eu aprendi com o meu pai, comecei com cinco anos e quero ir até quando Deus me der forças para subir nas araucárias”.

“Praticamente toda a população de Painel fica na expectativa para a safra de pinhão. E, quando a colheita começa, podemos ver uma intensa movimentação econômica na cidade”, diz o secretário municipal de Agricultura, o engenheiro agrônomo Juliano Bertoni.


Epagri oferece orientações técnicas

E, assim como João Odilar, todos os produtores de pinhão, em todos os municípios, podem contar com o apoio fundamental da Epagri, seja com orientações técnicas, acesso a políticas públicas de incentivo e tecnologias que podem incrementar a produção.

“Durante a colheita do pinhão, orientamos muito os produtores em relação à segurança ao subirem nas árvores, já que é uma atividade arriscada. Mas a Epagri está presente o ano todo, em todo o Estado, prestando todo o tipo de apoio aos produtores catarinenses”, conclui o gerente regional da Epagri em Lages, o engenheiro agrônomo José Márcio Lehmann.

Fotos: Pablo Gomes/Epagri

Safra menor de pinhão acende alerta de acidentes na Serra Anterior

Safra menor de pinhão acende alerta de acidentes na Serra

Javalis causam prejuízos severos nas lavouras de Bom Jardim da Serra Próximo

Javalis causam prejuízos severos nas lavouras de Bom Jardim da Serra

Deixe seu comentário