Justiça de SC usa 'violentômetro' para tratar da escalada da violência contra a mulher |
A presença crescente de javalis tem gerado preocupação em municípios da Serra Catarinense, especialmente em Bom Jardim da Serra. Autoridades locais e produtores rurais relatam prejuízos severos nas lavouras, riscos sanitários e impactos ambientais cada vez mais evidentes.
Segundo o secretário de Agricultura do município, Maurício da Silva, os danos já ultrapassam 70% da produção em algumas áreas. “O estrago ultrapassa 70% da nossa produção. Tá lamentável o negócio mesmo”, afirmou. A média de produção entre milho forrageira e milho grão era de 3.000 toneladas. Deve ficar em 900 toneladas.
De acordo com o biólogo e professor Rodrigo Avila Mendonça, o javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica invasora com alto potencial de destruição. “A presença do javali na Serra Catarinense tem se consolidado como um dos principais desafios ambientais e agropecuários da atualidade”, explica.
Entre os principais impactos ambientais estão:
- degradação do solo pelo revolvimento intenso
- aumento de processos erosivos
- assoreamento de rios e nascentes
- alteração da vegetação nativa
- predação de sementes e animais silvestres
Além disso, a espécie compete com animais nativos por alimento e habitat, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas locais.
Há também registros de destruição de nascentes e piora na qualidade da água, agravando a situação em áreas ambientalmente sensíveis.
Prejuízos no campo ultrapassam 70%
No setor agropecuário, os efeitos são diretos e expressivos. Lavouras, especialmente de milho, têm sido devastadas. “O ataque tá fora de sério. Vem preocupando cada ano mais”, relatou o secretário, que também é produtor rural.
Segundo ele, as medidas atuais ainda são insuficientes: armadilhas instaladas não têm apresentado resultados; a caça controlada ocorre em áreas específicas, mas é limitada; em regiões com restrições ambientais, o controle é ainda mais difícil. “A caça com cachorro até dá algum resultado, mas é mínimo. São dois ou três animais abatidos em grupos de 50 ou 60”, destacou.
Risco sanitário e à saúde pública
Além dos danos econômicos, os javalis representam risco sanitário relevante. Eles podem transmitir doenças como Brucelose, Tuberculose, Leptospirose, Toxoplasmose, Raiva e Peste suína clássica. Por terem origem semelhante ao porco doméstico, facilitam a circulação de doenças entre animais silvestres e rebanhos comerciais.
Crescimento descontrolado preocupa autoridades
A ausência de predadores naturais e a alta taxa de reprodução favorecem a rápida expansão da espécie. Outro ponto de preocupação é o risco de ataques. “É um bicho violento. Isso preocupa ainda mais”, alertou o secretário.
Diante do cenário, autoridades defendem ações integradas e baseadas em critérios técnicos. “Não dá para exterminar, mas precisamos reduzir essa população com medidas bem estudadas”, reforçou.
Necessidade de ação coordenada
Especialistas apontam que o controle do javali exige atuação conjunta entre órgãos ambientais, produtores rurais e poder público. As medidas devem ser contínuas e planejadas, considerando o controle populacional técnico, monitoramento constante, integração entre municípios e proteção da biodiversidade e da produção. Enquanto isso não ocorre, produtores seguem lidando com prejuízos crescentes e incertezas sobre soluções eficazes.
Fonte: São Joaquim Online


Deixe seu comentário