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Ovinocaprinocultura

Projeto alinha produção de ovinos com necessidades do mercado

Formalizado em outubro de 2025, convênio já qualificou e ampliou a produção de ovinos em vários municípios da região

Com foco na organização da cadeia produtiva e no fortalecimento do setor agro em Santa Catarina, o Projeto de Fortalecimento da Ovinocaprinocultura Catarinense, de abrangência estadual, teve seu lançamento regional realizado no início do mês de abril, em Lages. 

A iniciativa integra um investimento de R$ 6 milhões e reúne a atuação conjunta do Sebrae/SC e Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura. A iniciativa conta ainda com a parceria de Epagri, Cidasc, Faesc/ Senar, Arco, ACCO e Abecol. 

O projeto conta com a articulação da Câmara Setorial da Ovinocaprinocultura, instalada em 2024, que atua na organização do setor e no alinhamento entre produtores, entidades e mercado. A iniciativa também prevê a construção de uma estratégia de longo prazo, com foco na consolidação da ovinocaprinocultura como uma atividade estruturada, competitiva e sustentável.


80 contemplados na Serra Catarinense 

A construção do projeto teve como base um levantamento técnico realizado pelo Sebrae/SC em todo o estado, que analisou 370 propriedades rurais. 

Na Serra Catarinense, foram contemplados 80 produtores, distribuídos em nove municípios: Lages, Anita Garibaldi, Urubici, Urupema, Bom Retiro, Cerro Negro, São José do Cerrito, Palmeira e Painel. 

O diagnóstico permitiu mapear informações como número de animais, raças, perfil produtivo e estrutura das propriedades, subsidiando a definição das ações estratégicas.

A partir desse cenário, a Serra Catarinense passa a integrar a iniciativa estadual, estruturada para enfrentar um dos principais desafios da atividade: a desconexão entre produção e mercado. 

Enquanto produtores relatavam dificuldades para comercializar, o setor de beneficiamento apontava baixa oferta de animais. O projeto busca organizar a base produtiva, garantindo volume, qualidade,  regularidade e rastreabilidade. 

Entre as ações estão assistência técnica, melhoria genética, qualificação da produção, avanços em sanidade e incentivo à agregação de valor, além da integração entre produção, indústria e comercialização para ampliar o acesso a mercados e fortalecer o setor.


Exemplo vem de Anita Garibaldi

O convênio, formalizado em outubro de 2025 e com execução até dezembro de 2026, já apresenta resultados expressivos e prevê atender 800 produtores em 2026, com ações integradas de consultoria, assistência técnica e acesso a mercados. 

Exemplo disso é a experiência do produtor Milton Duarte, de Anita Garibaldi. Há cinco anos, ele iniciou a criação com apenas 10 ovelhas e um reprodutor e, atualmente, conta com um rebanho de 60 matrizes, comercializando entre 120 e 150 cordeiros por mês, entre produção própria e animais adquiridos para acabamento.  

“Com a entrada dos técnicos, a produção melhorou bastante. Hoje já alcanço cerca de 80% do que o mercado exige e sei que ainda posso evoluir. No início, havia insegurança, principalmente pela dificuldade de comercialização, mas hoje vejo que é uma atividade rentável e com futuro. Comecei com poucas ovelhas e hoje tenho um rebanho estruturado, trabalhando com produção para abate e buscando crescer ainda mais”, destaca.


Sebrae faz pesquisa de mercado

Um estudo de inteligência de mercado está sendo realizado pelo Sebrae/SC e tem entrega prevista para o fim de abril. O levantamento está mapeando os polos consumidores, concorrentes, oportunidades e tendências da ovinocaprinocultura no Brasil, orientando decisões e investimentos do setor.

Para o vice-conselheiro do Sebrae/SC, Marcos Pagani, a iniciativa representa um movimento estratégico para o desenvolvimento da atividade no estado. 

“Estamos organizando a cadeia produtiva com base em dados, identificando oportunidades, ampliando mercados e agregando valor à produção. É um projeto que conecta estratégia, desenvolvimento econômico e geração de renda no campo”, destacou.

A incorporação de tecnologias voltadas à melhoria genética dos rebanhos, com base em pesquisas da Embrapa, já está em andamento, assim como parcerias para trazer animais geneticamente superiores ao estado. O projeto também prevê ações de agregação de valor e fortalecimento da comercialização.


Banco genético

De acordo com a representante da Associação Catarinense de Criadores de Ovinos, a médica veterinária Luísa Ramos Ribeiro, a Serra Catarinense se destaca como um importante banco genético, com produção de matrizes de qualidade reconhecida. Segundo ela, há uma demanda crescente no mercado ainda não atendida.

“Hoje há falta de cordeiros, e estamos trabalhando para estruturar e fortalecer a base produtiva, por meio de projetos que levam tecnologia ao campo. Nesse contexto, a iniciativa conduzida pelo Sebrae tem sido fundamental para qualificar a produção, ampliar a produtividade e dar mais segurança ao produtor. O foco da associação está no rebanho comercial, que impulsiona a ovinocultura no estado, além do fortalecimento de iniciativas como o Campeonato do Cordeiro Catarinense e das exposições”, destaca.


Mercado

Segundo dados da Associação Catarinense de Criadores de Ovinos, o Brasil possui um rebanho de 17,5 milhões de ovinos. A região mais produtora do País é o Nordeste com cerca de 10 milhões de animais. 

Em Santa Catarina, há espaço para ampliar a produção, já que o Estado é o maior importador nacional de carne de cordeiro. O presidente do sistema FAESC/SENAR-SC, José Zeferino Pedrozo, aponta que falta produto para atender a demanda em todo o território brasileiro, que vê o Uruguai dominar o mercado.

“Hoje o consumo per capita de carne de ovinos no Brasil é de 400 gramas por ano. Só para termos uma ideia, o consumo de frango é 44 kg anuais por habitante, da carne bovina 35 kg e da suína 15 kg. Mesmo se aumentássemos o consumo de ovinos para 1,5 kg per capita, zeraríamos o estoque de carne em um ano. Teríamos que aumentar a produção em cinco a seis vezes. Ou seja, há muito espaço para desenvolvermos a cadeia e é esse esforço que o programa ATeG está fazendo”, projeta.

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