A artista serrana percorreu diferentes regiões italianas com o ateliê na bagagem e produziu uma série inédita de obras que unem a beleza da Europa à identidade da Serra Catarinense
Quase cinco décadas dedicadas à arte mereciam uma celebração à altura. Foi com esse propósito que a artista plástica Tereza Martorano, uma das principais referências da arte naïf em Santa Catarina, embarcou em uma viagem pela Itália que se transformou em muito mais do que um roteiro turístico.
A experiência deu origem a uma nova coleção de pinturas, produzidas ao ar livre, em cenários históricos e naturais que dialogam diretamente com a paisagem da Serra Catarinense que inspira sua trajetória artística.
Reconhecida nacionalmente pela sensibilidade com que retrata araucárias, vinhedos, pomares, flores e a vida no interior da Serra Catarinense, Tereza decidiu celebrar seus quase 50 anos de carreira prestando uma homenagem às origens da família, descendente de italianos.
"Escolhi celebrar meus quase 50 anos dedicados à arte com uma viagem pela Itália e homenagear meus antepassados, que vieram de lá."
O ateliê ganha o mundo
Ao longo de três meses, Tereza percorreu, juntamente à filha Sofia Martorano, diferentes regiões italianas, levando consigo tintas, pincéis e telas. Em cada parada, montava um pequeno ateliê improvisado para registrar as paisagens que despertavam sua emoção.
"Chegava, montava tudo e parecia que aquele lugar também me pertencia. A cada paisagem que tocava minha alma, nascia uma nova tela."
O roteiro começou pela Toscana, onde encontrou vinhedos e campos que imediatamente lhe remeteram à paisagem de São Joaquim, município onde vive e mantém seu ateliê.
Seu objetivo era, justamente, aproximar os dois universos: mostrar que a beleza dos vinhedos italianos dialoga com as paisagens da Serra Catarinense, tema recorrente em sua produção artística.
Costa Amalfitana e Dolomitas
Outro momento marcante da viagem aconteceu na Costa Amalfitana. A convite de Secondo Amalfitano, ex-prefeito de Ravello, Tereza permaneceu por quinze dias conhecendo uma das regiões mais famosas da Itália.
Segundo ela, a convivência com a cultura local e a oportunidade de observar cidades construídas sobre as montanhas proporcionaram novas referências para sua criação artística.
Na etapa final da viagem, o percurso incluiu o norte da Itália, além de passagens pela Suíça, Áustria e Eslovênia, encerrando a experiência nas Dolomitas, onde produziu a última tela da coleção.
Ao retornar ao Brasil, trouxe consigo uma série de obras inéditas que traduzem não apenas paisagens, mas as emoções vividas durante o percurso.
"Produzi várias obras que representam muito mais do que paisagens. Elas guardam a essência dessa experiência, que marcou profundamente a minha vida."
Reconhecida internacionalmente
Com uma trajetória consolidada, Tereza Martorano tornou-se uma das principais representantes da arte naïf brasileira. Seu trabalho caracteriza-se pelas cores vibrantes, composição poética e valorização da natureza e da cultura da Serra Catarinense. Além da pintura, desenvolve esculturas em aço, painéis cerâmicos e projetos de arte aplicada.
Ao longo da carreira, participou da Bienal de Arte Naïf do Brasil, do Festival Internacional de Arte Naïf (FIAN); realizou exposições individuais e coletivas e desenvolveu projetos especiais como a CowParade e a Elephant Parade.
Também assina rótulos de vinhos para vinícolas catarinenses, como Villa Francioni e Pericó, e possui obras em importantes coleções públicas e privadas, no Brasil e no exterior.
Viagem transformou o olhar
Para Tereza, a experiência na Europa foi, sobretudo, uma oportunidade de ampliar horizontes e confirmar que a arte ultrapassa fronteiras. "Foi uma experiência extraordinária, que me fez sentir que o artista pertence ao mundo."
Para ela, viver durante meses em contato com diferentes culturas trouxe uma nova percepção sobre a própria vida e sobre a criação artística. "Foram meses vivendo o desconhecido e descobrindo que, na essência, o mundo é muito parecido."
Ao final da jornada, a artista resume o significado da experiência de forma bastante pessoal. "Essa viagem marcou profundamente minha vida. Foi como tirar uma venda dos meus olhos. Sempre fui uma sonhadora e, desta vez, vivi esse sonho."
Mais do que uma coleção de pinturas, a viagem resultou em um novo capítulo da trajetória de uma artista que continua encontrando inspiração na natureza, nas pessoas e nas paisagens, sejam elas da Serra Catarinense ou das colinas italianas, reafirmando uma produção artística reconhecida pela valorização da cultura regional e pela sensibilidade com que transforma memórias em arte.
Fotos: Acervo pessoal





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