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Imersão em Inteligência Artificial, promovida
"Não tem muito como fugir." É assim que Rodrigo Tostes resume o que considera inevitável: a presença da Inteligência Artificial (IA) dentro de empresas de qualquer porte. A frase carrega o peso de quem construiu carreira justamente nesse ponto de encontro entre tecnologia e operação.
Co-fundador da Syncor, empresa de consultoria em gestão empresarial, Tostes soma quase sete anos de experiência em planejamento estratégico e inteligência de negócios, período em que passou a enxergar a IA não como uma ferramenta isolada, mas como parte da estrutura de qualquer negócio. "Hoje a IA é meu braço direito e sigo construindo o presente e o futuro com ela."
Essa visão esteve em pauta em Lages, Santa Catarina, onde Tostes ministrou o curso de Inteligência Artificial para pequenos negócios promovido pelo SEBRAE, na ACIL. Ele dividiu o palco com Gustavo Stork, fundador da CMOs, e passou o dia entre palestras e workshops ao lado de empreendedores da cidade.
Entre os temas tratados durante o dia, Tostes detalha o porquê de a adoção da IA variar tanto entre empresas de portes diferentes; o que muda, ou não, entre uma cidade pequena e uma metrópole, e até onde a tecnologia deve chegar nos próximos anos.
Segundo um levantamento do Sebrae, citado por Tostes, cerca de 44% das empresas brasileiras já contam com um input de inteligência artificial.
O movimento ganhou força a partir de 2025 e, na visão dele, não deve desacelerar: "Essa curva vai ficar cada vez mais vertical. Não tem muito como fugir."
O ritmo, porém, varia por porte. Em grandes empresas, a implantação costuma ser vertical e impositiva "não tem opção, será imputado e será realizado, o que gera resistência interna, já que os colaboradores associam a mudança a demissões". Em pequenas e médias, onde o contato entre gestores e equipe é mais próximo, o cenário muda, ainda que as dificuldades persistam.
A receptividade também varia com a profundidade da aplicação: usos simples, como chatbots, já são bem aceitos, mas a resistência cresce quando a IA passa a ser incorporada de fato aos processos, em busca de eficiência operacional. "Ainda não é nesse nível a cultura não está estabelecida", diz, apontando a necessidade de capacitação mais aprofundada das equipes.
Sobre a distância entre a maturidade digital de uma metrópole como São Paulo e de uma cidade como Lages, Tostes discorda da ideia de atraso.
Para ele, os grandes centros concentram os polos de tecnologia e recebem a informação mais rápida, mas, por reunir uma população muito maior, também abrigam proporcionalmente mais pessoas sem nenhum contato com o tema.
Ele arrisca uma proporcionalidade, fazendo questão de frisar que é uma opinião pessoal, sem dado formal por trás: cidades como Lages poderiam até ter, proporcionalmente, mais pessoas com conhecimento superficial sobre IA.
Já a profundidade técnica, reconhece, segue concentrada nos grandes centros. "Não é que fica para trás, é que a profundidade do conhecimento ainda está muito centralizada."
Sobre a corrida das empresas de tecnologia para oferecer soluções de IA a pequenos e médios negócios, Tostes é direto: "o mercado ainda não está saturado. Há grandes players com mais recursos e velocidade de execução, mas isso não fecha as portas para novos entrantes.
Ele aposta numa "contramão racional": a própria evolução da IA deve permitir que pequenos e médios empresários construam suas estruturas de automação sozinhos, sem depender de fornecedores "a própria IA está gerando a própria IA", exemplifica, citando o tema de uma das palestras do evento.
A comparação que usa é com a chegada do pacote Office: ferramentas como Word e Excel pareciam complexas no início, até a maioria dos usuários dominar o básico. Com a IA, avalia, essa curva será muito mais rápida e o nível de sofisticação alcançado pelos próprios empreendedores, bem maior.
Tostes acredita que a adoção de automação deixará de ser opcional. Em grandes empresas isso já é realidade, mesmo que pouco divulgada, cita como exemplo uma onda de demissões em massa da Amazon que precisou ser revertida. "Já tem esse comportamento. Empresa grande hoje já tem."
Na visão dele, 2026 será um ano de transição relevante, mas é em 2027 que a obrigatoriedade deve chegar também às pequenas e médias empresas, ainda que de forma básica. "Elas podem, mesmo que seja algo básico, mas elas terão que ter alguma coisa."
Diante do receio de que a IA elimine postos de trabalho, Tostes não suaviza: para ele, a história da humanidade é marcada por profissões que desaparecem e são substituídas, e não seria diferente com a inteligência artificial. "Não tem como fugir. A questão é como a gente vai se adaptar como sociedade."
Na leitura dele, as primeiras a desaparecer serão as funções operacionais e manuais, seguidas por parte das tarefas de análise de dados área em que um sistema bem alimentado de informações já supera a capacidade humana. Ainda assim, pondera que sempre haverá espaço para quem interpreta esses resultados e define direcionamentos.
Sobre sua visão de futuro para a IA, Tostes recorre a uma metáfora doméstica: "ela vai se tornar tão presente no cotidiano, quanto um animal de estimação, algo que acompanha e retribui cuidado. Você vai ter uma de bolso. Você vai ter que ter. Mais de 12 assistentes de voz espalhados pelos ambientes, controlando desde a iluminação até o preparo do café da manhã".
O próximo passo, na visão dele, é a IA aprender a antecipar padrões sem que o usuário precise pedir nada, reconhecer, por exemplo, o horário em que ele chega em casa e já acender as luzes e ligar o ar-condicionado. "Ela vai ter essa capacidade daqui a pouco."
Mais do que a tecnologia em si, o que move é como as pessoas vão se relacionar com essa evolução. "A gente está evoluindo cada vez mais. Não para ela se retroalimentar, mas como ela vai se relacionar e como a gente vai se relacionar com essa evolução absurda que ela vai ter."

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