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Junho

Conscientização, prevenção e alerta sobre a infertilidade, doença que afeta 8 milhões de pessoas no Brasil

Junho é o mês mundial de conscientização sobre a infertilidade. Em diversos países, campanhas de informação e sensibilização buscam quebrar tabus, promover acolhimento às pessoas que enfrentam dificuldades para ter filhos e divulgar formas de prevenção e tratamento, como o congelamento de óvulos.

Ao longo do mês, entidades e profissionais da saúde reforçam a importância do diagnóstico precoce e dos avanços da medicina reprodutiva. O objetivo é ampliar o acesso à informação e incentivar a busca por orientação especializada.

“Muitos casais que desejam ter filhos não sabem que a infertilidade é uma doença e que, em alguns casos, existe tratamento. Por isso, é fundamental conscientizar e alertar as pessoas que enfrentam dificuldades para engravidar”, afirma a ginecologista especialista em reprodução assistida, Dra. Mila Cerqueira.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade afeta cerca de uma em cada seis pessoas no mundo, o equivalente a aproximadamente 17,5% da população adulta. Para a especialista, os números evidenciam que a condição representa um importante desafio de saúde pública global.

“Os dados mostram que a infertilidade atinge pessoas de diferentes realidades socioeconômicas, com prevalência semelhante em países de alta, média e baixa renda”, destaca.

A OMS define a infertilidade como uma doença do sistema reprodutor masculino ou feminino caracterizada pela incapacidade de alcançar uma gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem o uso de métodos contraceptivos.

No Brasil, estima-se que cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentem dificuldades para engravidar, o que corresponde a aproximadamente 8 milhões de pessoas.


As causas da infertilidade
A infertilidade pode ter diferentes origens e, muitas vezes, envolve mais de um fator.

- Fator feminino: responde por cerca de 35% dos casos e está associado a condições como endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e miomas.
- Fator masculino: representa aproximadamente 30% dos casos e costuma estar relacionado à baixa quantidade ou qualidade dos espermatozoides.
- Fatores mistos: correspondem a cerca de 20% das ocorrências e envolvem alterações em ambos os parceiros.
- Infertilidade sem causa aparente (ISCA): presente em aproximadamente 10% dos casos, quando não é possível identificar uma causa específica.


Informação e planejamento ajudam a preservar a fertilidade
Informação de qualidade, acompanhamento médico e planejamento reprodutivo são aliados importantes para preservar a fertilidade. Especialistas recomendam consultas regulares com ginecologistas e urologistas, especialmente para quem pretende ter filhos no futuro.

“Tem crescido o número de diferentes configurações familiares que desejam construir uma família, e a medicina reprodutiva tem ampliado as possibilidades para que esse projeto se torne realidade”, explica Dra. Mila Cerqueira.

Nas últimas décadas, mudanças sociais e profissionais levaram muitas mulheres a adiar a maternidade. No entanto, especialistas alertam que a fertilidade feminina diminui progressivamente com o avanço da idade, especialmente após os 30 anos.
"As mulheres precisam estar conscientes de que as chances de engravidar naturalmente diminuem com o passar do tempo. Conhecer essa realidade permite tomar decisões mais informadas sobre o planejamento familiar", disse.

Entre as alternativas disponíveis, o congelamento de óvulos tem se consolidado como uma estratégia para preservar a fertilidade.
“Precisamos compreender essa importante transformação cultural. Muitas mulheres estão focadas na carreira profissional ou ainda não encontraram o parceiro com quem desejam construir uma família. O congelamento de óvulos pode ampliar as possibilidades de gravidez no futuro”, ressalta a médica.

A pauta tem ganhado espaço também na cultura pop e no entretenimento, refletindo discussões cada vez mais presentes na sociedade sobre maternidade, carreira e planejamento reprodutivo.

Segundo a especialista, o congelamento de óvulos é um procedimento seguro, realizado há décadas, desde que conduzido por profissionais qualificados e em clínicas especializadas.

“Quanto mais tarde uma mulher decide engravidar, menores tendem a ser suas chances de sucesso reprodutivo. O congelamento de óvulos oferece mais liberdade e segurança para escolher o momento mais adequado para a maternidade”, afirma.

 

Tratamentos podem ajudar a realizar o sonho da maternidade

As causas da infertilidade feminina são variadas. Além da redução natural da reserva ovariana ao longo dos anos, doenças como endometriose, síndrome dos ovários policísticos, miomas, trombofilia, infecções sexualmente transmissíveis, distúrbios hormonais e alterações ovulatórias podem comprometer a fertilidade.

“Em alguns casos, quando a condição responsável pela infertilidade é diagnosticada e tratada, a mulher pode voltar a engravidar naturalmente ou com auxílio da reprodução assistida”, explica Dra. Mila Cerqueira.

A especialista destaca que existem diferentes abordagens terapêuticas, e a indicação depende da avaliação individual de cada paciente. Entre as opções estão à fertilização in vitro (FIV), a inseminação artificial e o coito programado.

“O acompanhamento de um especialista em reprodução humana é fundamental para identificar as causas da infertilidade e definir o tratamento mais adequado para cada caso”, afirma.

Já a infertilidade masculina pode estar associada a doenças como varicocele, caxumba, infecções, alterações hormonais e condições genéticas.

“Um fator que tem preocupado cada vez mais os especialistas é o uso indiscriminado de anabolizantes, que pode comprometer significativamente a fertilidade masculina”, alerta.

Por isso, a recomendação é procurar avaliação médica especializada assim que surgirem dificuldades para engravidar.
“Cada ano de adiamento reduz as chances de alcançar a gravidez e de transformar o sonho da maternidade e da paternidade em realidade”, conclui Dra. Mila Cerqueira.

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